quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Let’s Pokémon Go!

Tô usando os bichinhos pra testar um recurso do Open Live Writer. Enquanto vocês leem isso eu tou caçando Pokémon. Smile with tongue out

Update: o recurso funciona perfeitamente. :)

terça-feira, 2 de agosto de 2016

É, ele [ainda] faz falta…

Acho que a primeira vez que eu o vi foi num filme. Achei interessante que um cantor que obviamente era famoso estivesse “interpretando” a ele mesmo num filme. Não lembro que idade eu tinha, provavelmente uns 16, e eu devia achar que todo artista era meio fresco, que se retinha ao que ele fazia e ponto. Obviamente eu não o conhecia.

Eu não fazia ideia de que ele tinha feito outros filmes, muito menos que eu ia “ver” um deles no dia em que ele morreria e decidiria deixar pra assistir o filme quando estivesse melhor da cabeça – já que a cena mais linda do filme acompanha uma das músicas mais lindas que ele já fez e meu emocional não é bom o suficiente pra juntar as duas coisas. Lá se foi quase sete meses e eu ainda não tenho condições de ver o bendito filme.

Indiretamente, contudo, eu o conhecia. Ele tinha participado de uma música da banda que a minha mãe ouve desde antes de eu nascer e eu, por osmose, ouço desde pequena. E uma banda que eu andava ouvindo bastante naquela época havia feito um cover de uma música dele. Ironicamente, eu soube que a música era dele depois de aprender a tocá-la no violão. Mas isso também se explica: certa vez, pelo que eu li, quando um “fã” virou pra ele e disse que estava feliz que ele tinha feito um cover da banda famosa nos anos 1990, ele mandou esse fã ir se foder. Oops. Não era só eu que não sabia nada de música.

Depois daquele primeiro filme – e eu demorei ANOS pra efetivamente ouvir a música que ele cantou no palco – eu conheci algumas coisas mais. Eu não sou daquele tipo de fã que conhece TUDO do cara, mas eu conheço algumas coisas. Não tenho vergonha nenhuma de dizer que catei um monte de material dele nos dias após sua morte. Eu tinha pouca coisa, mas o que eu tinha, eu curtia muito.

Mas é, ele morreu. O planeta inteiro entrou em luto. Eu não parei de chorar por cerca de cinco horas. Eu conhecia tão pouco dele e não conseguia parar de chorar. Foi bem esquisito aquele dia. Eu tinha colação de grau marcada, mas não deu pra ir, por vários motivos, e provavelmente eu não ia ter cabeça pra iniciar outra etapa da minha vida justo naquele dia.

E eu ainda evito falar o nome dele, de tanto que ainda dói.

segunda-feira, 27 de junho de 2016

Pós-formatura

dez da manhã é muito cedo, pô. eu fui dormir era cinco da manhã, nem sei em que ponto o podcast parou. o horário é meio-dia, period. tem uma reunião pelo whatsapp, ops, cadê o celular? olha a roupa pra colocar no varal. escreve-reescreve-revisa. mercado. relógio quebrou, já tá anoitecendo? janta. lê pra escrever e revisar. uma notificação de jogo, não, quatro notificações de jogo. o turno da noite no twitter vai ter que começar sem mim, essa cozinha não vai se arrumar sozinha. “pausa pro cigarrinho?”. boa noite, durma bem, tenha bons sonhos. fone de ouvido guardado debaixo da cama. e-reader no celular funciona, after all. e a metáfora da coruja foi esplendorosa. devia escrever. não devo escrever. barulho, white noise. de novo o mesmo podcast, de novo quatro da manhã. mais meia hora e esse dia acaba.

ou só dá uma pausa. como se o mesmo dia estivesse acontecendo desde muito tempo.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

So this is permanence.

Creio que era abril de 2003. Meu chefe havia me enviado pra Lapa pra entregar um catálogo. Naquela época eu era diagramadora num escritório pequeno a 10 minutos de distância da minha casa. Com 18 anos, era meu primeiro emprego de verdade, mesmo que não tivesse carteira assinada nem nada. Eu ganhava 200 reais por mês, e em 2003 isso era alguma coisa. Mas divago.

A data exata está anotada lá, mas não posso procurar agora. Mas era 2003. Eu estava voltando dessa missão dada pelo meu chefe e resolvi parar no centro de SP. Naquele dia eu comprei três coisas que dizem muito sobre mim: uma mochila, um livro e um cd. A mochila se desfez uns cinco anos depois, o livro eu troquei com um amigo, mas o cd continua comigo. Era o Substance, do Joy Division.

Um ano antes uma colega do colégio havia feito uma mixtape pra mim com várias músicas do que consideramos Anos 80. Tinha Depeche, tinha New Order, tinha Electronic, e tinha Joy Division. Ela tinha escolhido Transmission e Love Will Tear Us Apart pra que eu ouvisse. Como eu tava louca pra ouvir música boa, eu ouvi aquela fita até ela quase rasgar. É importante lembrar, aqui, que em 2002/2003 até existia computador, mas eu não era uma das contempladas com tal “privilégio”. Se vocês considerarem que quando eu voltava do trabalho e ia ouvir uma mixtape era numa máquina de escrever que eu despejava toda a minha mente, dá pra entender por que eu fiquei tão animada quando achei um cd usado na Galeria do Rock a R$ 18.

De qualquer forma, minha colega me mostrou essas duas músicas, mas foi meu melhor amigo que me jogou pra dentro do Joy Division. Ele gostava muito da banda, eu imagino que ainda deva gostar, e eu nem lembro mais como foi que ele me despertou o interesse. Só sei que daquela época em diante eu nunca mais ia parar de ouvir Joy Division.

Aquele cd que eu comprei na Galeria me ajudou a superar um coração partido, a sensação de solidão que me acompanhou ao longo de 2003, a raiva de não me encaixar onde quer que eu tentasse, a vontade de ir pro mundo e estar presa a um lugar no qual eu não queria estar, a frustração de ter que me virar sozinha… eu passei por bastante coisa ouvindo o Substance.

Daí, um ano ou dois depois, eu tive a oportunidade de conseguir as músicas pela internet da casa de uma amiga. Depois de muito procurar – again, metade dos anos 2000, as coisas ainda não eram tão fáceis de se conseguir – eu consegui o Unknown Pleasures e o Closer. Aí “desandou”.

Não tem um dia em que eu esteja confusa e perdida que eu não lembre da letra de Passover. Quando eu estou puta da vida com as coisas que acontecem aqui em casa, os versos de Isolation pulam na minha cabeça. Quando eu assisti Clube da Luta um pedaço de Heart and Soul me deu um chute na cara. Disorder fala comigo toda vez que eu percebo que a intensidade emocional que só o borderline pode proporcionar tá chegando. New Dawn Fades é perfeita pra dias como hoje, nos quais desistir de tudo é e não é ao mesmo tempo a única solução possível. Eu posso passar o resto do texto associando cada música do Joy Division com a minha vida, mas eu quero falar de uma em específico.

Something Must Break é, junto com Being Boring e Silent Lucidity, uma das músicas que funciona como uma parede. Quando ela aparece na minha frente, não importa qual é minha velocidade ou motivação: eu paro.

Ela tá no Still, um álbum póstumo que basicamente reúne o que não foi lançado nos dois “oficiais”. Ela é praticamente um grito. Ela, junto com Leaders of men, foi o que me fez querer aprender a tocar baixo. A bateria daquela música é simples, mas não é desse mundo. A guitarra parece que fala “sai de cima da sua bunda e vai fazer alguma coisa”. E a voz do Ian nessa música soa muito como quando ele está no palco, à beira de um ataque epilético, cantando Transmission, apesar de não ser gritada.

E é ela que eu estou ouvindo agora, e é ela que eu vou mostrar pra vocês agora.

Um dia eu traduzo a letra e aproveito pra contar a história do Joy Division. Agora não é hora. Agora é hora, pelo menos pra mim, de ouvir Joy Division enquanto dou conta da minha vida.

--

Ah, sim. Já ia me esquecendo. Esse post foi feito hoje, 18 de maio, porque hoje é o aniversário de morte do Ian Curtis. Faz 36 anos que ele se enforcou na sala de casa ouvindo Iggy Pop, mas até hoje há quem se lembre dele. Tipo eu.

So… this is permanence. Don’t you think?

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Me leve pra igreja.

[aviso pros puristas: eu sei que essa música – Take me to church, do Hozier, um moço irlandês que tem um vozeirão potente e que lançou seu primeiro EP em 2013 –tem um POV masculino direcionado a uma mulher e um clipe que puxa a questão da homofobia e da intolerância religiosa, mas aqui teremos a visão de uma mulher que, apesar de ser bissexual, direciona every fucking word dessa tradução a um homem. ouça a música em inglês/veja o clipe aqui.]

Meu amor tem bom humor
É o riso em um funeral
Sabe da desaprovação de todo mundo
Eu devia tê-lo venerado antes

Se os céus já falaram algum dia
Ele seria o último porta-voz verdadeiro
Cada domingo está ficando mais sombrio
Um veneno novo a cada semana

Nascemos doentes, você os ouviu dizer

Minha igreja não oferece absolvição
Ela me diz “venere no quarto”
O único paraíso pro qual serei mandada
É quando estou sozinha com você

Nasci doente, mas amo isso, ordene que eu fique bem

Amém.

Me leva pra igreja, vou venerar como um cão no santuário de suas mentiras, te contarei meus pecados pra que você possa afiar sua faca, me ofereça a minha morte imortal, oh deus, me deixe te dar minha vida!

Se sou uma pagã dos bons tempos
Meu amor é a luz do Sol
Para manter a divindade ao meu lado
Preciso oferecer um sacrifício

Para drenar o mar, pego algo brilhante
Algo carnudo como prato principal
Eis aí uma bela teimosia
O que você tem guardado?
Temos vários fiéis morrendo de fome

Parece saboroso
Parece muito
Esse trabalho não tem fim

Me leva pra igreja, vou venerar como um cão no santuário de suas mentiras, te contarei meus pecados pra que você possa afiar sua faca, me ofereça a minha morte imortal, oh deus, me deixe te dar minha vida!

Sem mestres ou reis quando o ritual começar
Não existe inocência mais doce do que o nosso pecado suave
Na demência e no sustento dessa triste cena terrena
Só assim eu sou humana, só então eu estou pura

Amém.

Me leva pra igreja, vou venerar como um cão no santuário de suas mentiras, te contarei meus pecados pra que você possa afiar sua faca, me ofereça a minha morte imortal, oh deus, me deixe te dar minha vida!